quinta-feira, 30 de julho de 2009

Instablidades oculares

Eu já havia visto seus olhos circulando pelos mesmos ambientes que os meus. Mas, eram olhares que me deixavam nervosa e ansiosa, talvez por certo medo que, não sei como explicar, me paralisava e não me deixava falar ou tomar nenhuma atitude, nada...

Os dias se passaram e quando me dei conta, seus olhos não me assustavam mais. Ao contrário, eu me via em seus olhos e nas suas palavras. O tempo passou, e me acostumei com uma amizade quase impossível de se imaginar, pois enormes eram minhas confusões sentimentais. Mas, ela, essa estranha amizade, veio, se instalou e aqueles problemas todos sumiram e deram lugar a um novo sentimento, a uma paz estranha, a uma calma inimaginável.

Mas, tudo isso tinha um fim. Estamos falando de uma diferença geográfica, de alguns milhões e incalculáveis quilômetros de distância, separando pessoas que se consideram complicadas e diferentes habitantes de um mundo tão complexo e individualista. Onde vemos todos os dias pessoas recolhendo os pedaços dos corações partidos e esquecidos em alguma rua, em algum lugar.

Os momentos vividos sobre forte ansiedade acabaram-se. O passar dos dias foram estranhos, sozinhos... Sentia-me como se tivesse perdido alguma coisa, sem saber ao certo o que, o que eu havia perdido e não me lembrava...

Depois de um tempo, percebi que no auge da emoção, me deixei levar por olhos que mudam de acordo com o ambiente, de acordo com a companhia, de acordo com o tempo... Vejo agora, que meu medo de antes não era uma besteira e sim, um aviso.

Agora estou perto de rever tais olhos. E, confesso que não sei o que esperar.
O pós foi tão estranho, o silêncio dominou nossas bocas de uma forma que nunca poderia prever. Não sei se esses olhos ainda são os mesmo que me fizeram mudar toda uma forma de pensar em poucos dias... Não sei.

Apesar de ter dado umas férias para a impulsividade e a ansiedade, confesso que por mais que os olhos que eu esteja procurando tenham desaparecido nesse mundo mundano e instável, ainda quero encontrá-los mais uma vez.

Não falo de esperanças, e nem de sonhos. Mas a clareza das palavras e de sentimentos tão raros que pude ver naqueles olhos, até hoje acompanham meu sono, meu caminhar, meus dias solitários.


Beijos

Lud Figueira

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