quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Princesa e o Sapo

"...Ela deu um beijo de amor verdadeiro e naquele momento, aquela criatura deu lugar ao homem por qual esperou toda sua vida."

Ok. Voltemos à realidade. Beijo de amor verdadeiro? Homem da sua vida? Aloooou? Tem alguém ai?

Não quero desapontar ninguém, muito menos dar uma visão depressiva e pessimista sobre os relacionamentos de hoje, de repente até dos relacionamentos de ontem e, pelo andar da carruagem, de amanhã: A situação está preta!

A palavra compromisso, virou um termo estritamente profissional. Pelo que vejo, as pessoas, homens e mulheres, só possuem compromisso com o trabalho, o ganha pão de cada dia;

Essa correria do dia-a-dia, essa busca solitária e individualista por uma fonte de renda estável e um crescimento profissional, tornaram as pessoas mais egoístas, onde não se pensa no outro, nos sentimentos do outro e sim, no agora, na satisfação do prazer imediato e um beijo, tchau!

Na verdade é tudo muito simples. Estamos numa fase (há séculos) tão desesperadora, que qualquer abraço mais demorado, qualquer encontro que se repita mais de duas vezes com um curto intervalo entre eles, qualquer torpedo ou email "bonitinho", pronto: Já é o suficiente para nos deixar com o coração nas nuvens, frio estomacal e completamente rendida.

Esse é o grande perigo. Como estamos acostumados a apenas uma noite, um momento "legal", quando conhecemos alguém que se mostre diferente dos demais, não resistimos e baixamos a guarda. O que nos torna vulneráveis diante do "lobo na pele de um cordeiro".

O que acontece: Os encontros só são viáveis quando a parte egoísta quer, deseja, e a outra parte, refém de um sentimento vicioso e nocivo, permite esse e mais quantos encontros forem. Mas, depois, a parte egoísta dorme o sono dos justos, e a outra parte, sente os efeitos negativos de um relacionamento instável, um vazio e uma sensação horrível de não saber dizer Não.

Até porque os egoístas geralmente são encantadores, envolventes e sabem conquistar alguém. Difícil resistir. São ardilosos e calculistas. Não agem por impulso e ao contrário da outra parte(a parte "boazinha")sabem como driblar a ansiedade e a conduzir a situação a favor deles.

Mesmo sabendo claramente o que rola na frente e atrás das câmeras, a gente cai milhões de vezes no mesmo clichê, no mesmo drama sentimental, acabamos assistindo a mais um capítulo de novela mexicana.

Não tem uma receita para não cair nessa, ou alguma palavra que nos faça sentir melhor. Acredito na lentidão do passar das horas, dos dias e nas surpresas que a vida nos oferece para nos ajudar a esquecer momentos ruins e pessoas que permitimos com que nos fizesse mal.

Porque só passamos por esses problemas "sentimentais", porque abrimos portas e janelas para um outro entrar, se instalar e ir embora na hora que desejam.


Tomar atitudes, discutir relacionamento, ser radical....Bla bla bla! Essas cenas só dão certo quando vocÊ realmente não sente mais nada pelo outro. Pois ao contrário, só faz desgastar ainda mais uma relação que, na real, ainda nem começou.


Beijos

Lud Figueira

Um comentário:

rmgoncalves disse...

Belo texto!
Fiquei fascinado pela forma que escreve...
Parabéns ;-)
Bjs, Robson.