sábado, 31 de julho de 2010

Sexo e Poesia

OBS: Texto ficção - (arquivo literário de Lud Figueira)
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Na hora em que eu estava pensando em você, recebi uma mensagem sua:

“Eu já disse que você é linda hoje?”

Meu Deus! Era tudo que eu precisava para sentir que foi real aquela noite. Fico arrepiada só de lembrar...

Ah, aquela janela... A vista da Baia de Guanabara perdeu o palco. Os protagonistas daquela noite éramos você e eu. Por mais que eu tentasse desviar o foco, a atração dos corpos era mais forte. Perdi o controle e me rendi. Estava diante de um matador e não tive medo da morte, me entreguei. Senti seu corpo se conectar ao meu... O coração disparou, suspirei. O prazer me levou ao paraíso e você o tornou possível.

Tentei achar a lucidez que foi brutalmente atropelada pelo prazer em ser beijada por você e claro, não consegui. Cada vez que meus lábios encontravam os seus eu perdia os sentidos, esquecia do mundo que a janela mostrava, não havia forças para resistir.

Aventurei-me na arte do suor e me deixei ser conduzida. Nada foi poupado: A televisão foi ao chão, junto com as cinzas dos cigarros interrompidos na pressa descontrolável por ser sua, por ser possuída pelo desejo ardente de sentir seu corpo junto ao meu.

Seu olhar ao mesmo tempo em que me proporcionava medo, me deixava estranhamente excitada. O pânico de uma ilusão tampava meus ouvidos a cada palavra bonita que saía da sua boca. Mas, elas, as tais palavras, continuaram rondando pela minha cabeça, pelo meu coração.

O passar das horas foi cruel. Ao seu lado esqueço-me do amanhã e ao me despedir, sinto como se eu deixasse um pedaço de mim.

Relembro cada toque de suas mãos, cada olhar me devorando, cada palavra e cada silêncio.

Acordo e sinto os resquícios da noite passada, logo sorrio e me sinto viva.

Não foi um sonho, foi real.


Beijos

Lud Figueira

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