quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Blá Blá Blá...Troca o disco

Eu estava conversando com um amigo dia desses e ele me falou:

“Lud, eu não consigo me apaixonar! Eu quero uma namorada! Mas não consigo me envolver, é tudo igual, depois da conquista parece que não resta mais nada...”

Na hora eu ri, porque conheço bem o tipo do meu amigo e não disse nada. Não o levei a sério, porque cinco minutos depois que ele falou isso, já estava lá, chegando em uma garota! Mas, depois eu cheguei em casa e fiquei pensando.

É realmente tudo igual. Se a gente parar e prestar atenção, vamos ver que nada mais tem aquela emoção, é tudo calculado. Mais ou menos assim: Você conhece o cara ou uma garota, leva para sair, claro que depois você vai querer ela de sobremesa e ela ou vai fazer um daqueles joguinhos ou vai ceder logo de cara. Pronto: No final das contas, é sempre assim que termina, porque na real, ninguém dispõe de tempo para conhecer o outro. É tudo rápido. Isso quando você não sai com um cara e ele perde o “time”, manutenção- Tipo do cara que liga de duas em duas semanas....

Quantas vezes vocês saíram com um cara, ou uma garota, e no dia seguinte ligaram, naquela intensidade, com aquele frio na barriga, querendo ver o mais rápido possível o outro? Com certeza pouquíssimas pessoas dirão sim. Aí vem as desculpas: “ah! Tem que deixar rolar...”, “Pô, se eu ligar no dia seguinte, a gata vai achar que eu tô amarradão!”, “ É bom deixar o outro com gostinho de quero mais...” Essas desculpas são altamente manipuladas por nós. Mentira cabeluda se alguém disser que age naturalmente, porque não age. Mesmo que o cara ou a garota queiram ligar, se manifestar de alguma forma, eles pensam sempre no que o outro vai dizer, pensar e na maioria das vezes chegam à conclusão que o melhor é não fazer nada.

Por isso que não há mais surpresas. Por isso demoramos a nos apaixonar. Parecemos um monte de videntes e já damos um beijo sabendo o que vai vir depois. Isso é muito chato. Sem tesão, sem emoção, frio. Acho que é o medo de gostar antes que o outro mostre o sentimento, medo de sofrer uma decepção por ter se entregado, medo do vínculo, medo de sentir vontade, necessidade do outro. O que fazemos então: Boicotamos encontros, vontades, momentos. Agimos superficialmente, interpretamos personagens, rimos das mesmas frases clichês e por incrível que pareça não fazemos nada para trocar o disco e continuamos dançando a mesma e velha música de sempre. Reclamamos, choramos, mas na real, compactuamos com esse ciclo nocivo sem novidades.

Geralmente a gente se apaixona por alguma atitude do cara ou da garota que foi diferente, alguma coisa fora do nosso controle. E, quando sentimos aquele reviramento estomacal, aquele calor e frio ao mesmo tempo, aquela falta de palavras, aquela tensão, ao invés de ficarmos felizes por termos achado alguém que nos provocasse tudo isso outra vez, logo, no mesmo instante, esquecemos de todos esses sintomas e começamos a pensar no outro, a descobrir se o outro está sentindo o mesmo, se estamos ou não sozinhas nessa, se é melhor fingir e não mostrar ou se é melhor fazer e dizer o que tem vontade....São tantas dúvidas, tantas maluquices, que não curtimos o momento....

Aí vem os homens e dizem que são práticos e decididos e que isso tudo não passa de neurose feminina, que mulher é tudo complicada e etc. O que acontece é que se os homens fossem seres tão práticos, tão decididos, eles começariam a cumprir o que falam, a dizer a que veio, seriam mais diretos, não enrolariam(quer dizer a maioria acha que enrola) tanto, iriam perceber que mais vale uma boa refeição, do que fazer um lachinho a cada hora. Ou então, a nova moda do pedaço é colocar a culpa em nós, as mulheres. O que mais ouço são os homens falando que as mulheres se igualaram a eles, que as mulheres fazem pior que os homens, que as mulheres é que não querem nada, que as mulheres estão dando para todo mundo, que as mulheres...Ah, na boa! Um coloca a culpa no outro e ninguém “fode e nem sai de cima”! Ninguém merece....

Tenho uma sugestão: Que tal a gente não pensar em falsas regras e ao invés de ficarmos nos preocupando tanto com o outro, não passamos a pensar primeiro em nós? Na nossa vontade? Sairmos com o outro sem falas decoradas, sem manipulação e sem controlar movimentos?

Que tal ser você mesmo?

Beijos

Lud Figueira

@ludfigueira

Um comentário:

diego disse...

Lud espetacular! resumiu tudo, acho que as pessoas tem muito medo de arriscar.....mas se pensar bem, o que temos a perder?? Acho bem que conheço esse seu amigo que falou isso no começo com você !!! bjsssss