domingo, 23 de janeiro de 2011

Bomba: Para estourar ou desarmar?


Dá para fugir? Dormir e só acordar quando estiver tudo bem? Posso chamar algum adulto para resolver a questão? Acho que vou ficar em recuperação nessa matéria chamada amor...

Fecho os olhos e tento não pensar em nada. Pensar na morte da bezerra, numa vaca pastando, até em algum drama familiar, mas nada atrapalha esse pensamento fixo, essa ansiedade pelo amanhã, esse silêncio.

Ok. Vamos nos distrair! Não conseguimos. Na verdade, não queremos conseguir, não queremos nos desconectar, não queremos voltar a velhos hábitos, a antigos lugares... Não queremos.

Ok. Vamos tentar conviver com isso! Somos adultos, bem resolvidos e civilizados. Mentira! Sinto o pânico se instalando, o surto chegando, o medo tomando conta e um filme de terror sobre o que está acontecendo aparece em flashes e leva embora toda a esperança de viver um novo capítulo, mudando um ou outro personagem, mas dando continuidade a mesma história.

Nada como a experiência. Admiro pessoas que possuem a capacidade de separar a emoção, sentimentos explosivos e se desconectar para resolver uma questão usando a lógica, a razão. Isso me parece certo e equilibrado. Mas, ainda não passei dessa fase nesse jogo, não consegui achar a saída do: ‘Está tudo bem!’, ‘Nada como um dia após o outro’ ou ‘O amanhã está logo aí’...

Sinto como se eu fosse uma bomba relógio... Tic Tac Tic Tac Tic Tac... Acho que deve ser um sintoma normal quando nos encontramos uma pilha de nervos e nada, nada, nadinha podemos fazer. Ah! Mas é claro que eu pensei em um monte de insanidades, loucuras que se alguém descobrisse me colocaria num quarto isolado dos outros doentes mentais por me considerar perigosa demais para viver com os outros. Brincadeira... Apenas uma tentativa de me distrair... (QUE NÃO DEU CERTO)

Vi que estava chegando à fase terminal, quando após terminar o meu habitual lanche no ‘mcdonalds’ sobrou guardanapos e eu devolvi a moça do caixa. Isso poderia apenas significar educação da minha parte. Mas acreditem: Algo muito maior me levou a fazer isso... Preocupante.

Ah, aí você se lembra que hoje é sábado. Que o mundo está nas ruas, que o calor está enlouquecendo corpos, que a fome não foi saciada. Mas você nem se mexe, nem se importa, até porque você está em casa, ocupada demais intercalando entre a felicidade e a tristeza de estar ‘amando’...

Até que alguma alma viva chega em casa (pois é válido lembrar que está rolando um feriado) e você desabafa: Grita, expõe de forma irritada seu pensamento como se fosse a verdade absoluta, esperneia e, depois escuta do ouvinte:

--- Acabou?

Você respira fundo, e diz:

-----Acabei.

Pronto. Você agora vai se sentir por algum momento mais leve, revigorada das forças perdidas com a chegada da nuvem negra do pessimismo.

Xô pessimismo!!!!

Boa Noite.

Beijos

@ludfigueira

Um comentário:

Natália Fontoura disse...

Resumistes a o retrato fiel da fase do jogo cujo chefão poucos ultrapassaram, aquela fase onde a incerteza, a angústia e o pessimismo parecem forma uma "Santíssima Trindade" (blasfemei?). Sempre procuro comentar teus textos de acordo com as minhas atitudes e opiniões, portanto com a sinceridade em mãos eu digo: Não há como lidar com isso (mas também não é para pula da ponte Rio-Niterói).

Desabafar com o primeiro ser humano que vemos ou até mesmo com a parede, a mesa ou a cadeira, tentar recobrar nossas atividades rotineiras, lê um livro, pensa no Dalai Lama, plantar uma árvore... Diboa, nada disso adianta. Essa fase só passa quando o fruto de tanto "surto" dá um sinal (pode ser positivo ou negativo. Verde, amarelo ou vermelho).

Conselhos de terceiros? São sempre bem-vindos (ôh se são), mas são pequenas doses de calmante para uma doença cuja cura não se encontra em conselhos. Levanta a mão quem sabe lidar com isso de uma maneira racional e tranqüila..
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(silêncio)