quarta-feira, 8 de março de 2017

Londres

Como vim parar em Londres

Bem vindo a vida adulta. Aquela onde você se depara no início, meio e fim do mês com contas, problemas e prazos. Dar conta de tudo isso e ainda se feliz!? Sim, eu entendo bem esse "drama". Vamos sendo empurrados pelas horas dos dias, pelas pessoas, pelo tempo e esquecemos do principal: Esquecemos de cuidar da gente!

Em maio de 2016 eu vim morar em Londres. Tinha uns 5 meses que eu havia voltado com meu namorado, e estávamos buscando um novo rumo para as nossas vidas. Ele, mais novo do que eu, vislumbrava o sonho de "morar fora", aprender outro idioma, conhecer outras culturas. Eu, tentando me encontrar, pois, me perdi há alguns anos e não mais me encontrei. Conclusão: Conversamos com algumas pessoas, juntamos grana, consegui uma pessoa bem "doida" como eu para cuidar dos meus filhos caninos e embarcamos na cara e na coragem. 
 Preciso confessar: Odeio falar inglês. Quando eu era pequena, uns 10 anos de idade (porque nunca fui "pequena"), minha mãe me colocou no curso de inglês. Até ai, tudo bem. Mas, chegando na sala, fui parar numa turma que já estava junta desde do inicio e eu era a "novata". Conclusão: Era zoada constantemente. Voltava para casa chorando, detestava. Nessa época, criança é muito cruel e não existia "bullying". Não tinha muito o que fazer. E, nessa momento, as novelas mexicanas começaram a fazer parte da minha vida e minha paixão por (não me JUGUEM!!!) Marimar, Maria Mercedes e Maria do Bairro tomaram conta de mim e a cantora Shakira com "Estoy aqui" mudou minha vida. Então, eu e a diretora do curso convencemos a minha mãe de me colocar no espanhol e depois eu voltaria para o inglês. Pronto! Minha paixão pela língua espanhola era evidente! Fiz meu vestibular em espanhol, tudo era espanhol. Mas, escolhi estudar jornalismo....E como assim você é jornalista e não fala inglês? Entao, frequentei muitos cursos de inglês, mas o que me ajudou mesmo foi quando em 2009, fui estudar inglês por 6 meses em Dublin, na Irlanda. Mas, voltei ao Brasil e como não falava, ficou adormecido em algum lugar.... Já o espanhol posso ficar sem falar anos, nunca esqueço. Pois falar espanhol é um prazer, falar inglês é um terror.
Bom, voltando para a grande "aventura" de morar fora, viemos para Londres. "Ah, Ludmila, porque você escolheu Londres já que você odeia inglês?" Porque eu sou maluca! Nãoooo! ok. Talvez eu não seja muito normal, mas escolhemos Londres por ser um país economicamente melhor, por ter mais chances de emprego e também, para melhorar o inglês. Pois, uma verdade é: Nós brasileiros somos muito preconceituosos. Aqui fora se você falar errado, ninguém fica rindo de você ou te "zoando por isso ou aquilo", eles te ajudam. 
Chegamos em Londres, achando que tínhamos tudo certo: Alguns conhecidos para ajudar, emprego em vista, lugar para ficar...Não. Nada disso. Chegamos aqui e descobrimos que estávamos mais sozinhos de quando saímos do Brasil. Mas, como "coisas boas acontecem com pessoas boas" e temos passaporte europeu, com ajuda de um casal de amigos conseguimos as informações necessárias para começar a vida aqui, procurar emprego e tentar se estabilizar. Passado o momento da crise, o momento de "quebrar num país estranho", veio o momento de: Trabalhar em outro páis, em outro idioma.
Como conseguir meu emprego:
Assim que eu cheguei, fui numa casa de câmbio brasileira e lá disse que estava procurando emprego. Esse foi meu grande erro e grande acerto: A maioria dos brasileiros que vem para Londres, chegam no país ilegal. Passam o "pão que o diabo amassou" e se tornam pessoas piores.E, ao melhorar de vida, começam a explorar seus próprios conterrâneos. Claro que não são todos. Conheci muito brasileiro honesto e do bem.Trabalhei dois finais de semana num café brasileiro (logo eu, que nunca precisei lavar um prato) e conheci uma brasileira que me viu duas vezes e morava no mesmo prédio que eu e tinha começado nesse café junto comigo, mas nunca trabalhamos no mesmo turno. Na terceira semana, eu encontrei essa brasileira voltando para casa, conversamos e ela disse: "Eu estou saindo do café e do meu emprego no hotel porque arranjei algo melhor, gostei de você e vou te indicar lá no hotel. Você pode ir lá amanhã?" Claroooo. E, foi nesse momento que começamos a "respirar" em Londres. E, coincidentemente, o hugo, meu namorado, saiu do Pub e conseguiu um emprego na cozinha de um restarante japonês. Ou seja, vimos uma luz no fim do túnel! E, minha querida mãe também!(Família, por mais problemas que vocês tenham, é quem vai lhe ajudar quando a "casa cair"!)
Respiramos e veio a outra questão: Trabalhar em outro país, em outra língua...
A vaga no hotel era para o turno da noite. Mas, quem está precisando, não escolhe, aceita. Fui trabalhar com um inglês e uma Búlgara, que são do time da noite. A Búlgara passou um mês e meio me chamando de "idiot" e "stupid" e eu chorava todas as noites. Já quando eu trabalhava com o Inglês, eu aprendia mais, era divertido e, como temos quase a mesma idade, sempre conversávamos sobre vários assuntos em comum e a hora passava rápido. Ele, com a maior paciência do mundo, foi me mostrando o que fazer, como mexer nos programas, me corrigia quando eu falava errado e, as poucos, fui melhorando e, depois que assinei o contrato permanente, me senti mais forte e aprendi a lidar com a "búlgara" e, até posso dizer que temos um bom convívio. Agora imagina passar por isso, estando num país estranho, longe da sua família, dos seus filhos caninos que são tratados como humanos, longe de tudo que lhe causa conforto? Sim, foi nesse momento que meu relacionamento  até então "frágil", mudou para "forte". Mas, isso é assunto para outro texto! Até amanhã!

Beijos
@ludfigueira





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